O ego da psicanálise X o ego do senso comum
- Maria Carolina Passos
- há 2 dias
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O ego da psicanálise e o ego do senso comum são coisas bem diferentes, quase opostas.
Você provavelmente já ouviu alguém dizer que isso é “o ego falando”. Geralmente a fala vem acompanhada de uma crítica, colocando o ego como sinônimo de egoísmo, vaidade exacerbada, arrogância ou prepotência.

A imagem ao lado ilustra bem essa concepção.
A interpretação do termo dessa maneira já existe há muito tempo, antes mesmo da psicanálise. Mas, a partir da tradução do conceito freudiano de Ich (eu) como 'ego', os dois sentidos acabaram se misturando.
Quando falamos de ego na psicanálise, não falamos de um vilão moral, algo a ser domado ou do qual devemos nos libertar. Pelo contrário, ele é a instância psíquica encarregada de lidar com a realidade.
Em termos freudianos, o ego tenta mediar o conflito constante entre nossos desejos e pulsões, as exigências morais e ideais do superego (ou supereu) e as limitações impostas pelo mundo.
Quando alguém fecha o seu carro no trânsito e você não explode de raiva, o seu ego está em pleno exercício de suas funções. Quando você suporta uma frustração ou adia um prazer imediato em nome de consequências futuras, o ego está ali, trabalhando.

O que o senso comum chama de "ego inflado" muitas vezes diz respeito menos a uma autoestima grandiosa e mais à necessidade constante de reafirmar o próprio valor. Daí a busca incessante por reconhecimento, admiração, superioridade... por mais e mais.
A questão é que o ego, para a psicanálise, não é um rei sentado em um trono. Eu diria que está mais pra um diplomata exausto, tentando impedir, a todo custo, uma guerra civil dentro de nós.
E pensar que passamos tanto tempo culpando o pobre... enquanto ele tenta manter a casa de pé.
Dito tudo isso, como estão essas negociações por aí?




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